O amor de Deus por Seu povo
Eu não sei você, mas pessoalmente eu sempre tive dificuldade em ver amor em Deus. Conheci um Deus irado, que punia pecadores, devastava nações e jogava no inferno quem não obedecesse suas ordens arbitrárias. “Cadê o amor nisso?”, eu me perguntava… Costumava olhar para Deus sem ver seu amor. Ao menos foi assim em grande parte de minha vida. Em outra, achando que já conhecia o amor de Deus, me deparei com meu pecado e pude ver a ira e esperar o fogo do inferno sobre mim…
Hoje quero demonstrar que Deus é amoroso, bondoso, justo e totalmente digno de nossa inteira confiança!
O QUE É AMOR?
O que é o tal amor?
Talvez nesse mundo moderno seja surpresa, mas será que só existe um tipo de amor? Quantos tipos de amor existem?
O amor existe de pelo menos três tipos: fileu, eros e o amor platônico. O primeiro é o amor da amizade, o segundo é o amor erótico e o terceiro é basicamente desejo.
Mas quando falamos do amor de Deus, porém, estamos querendo conhecer que tipo de amor em Deus? Quero saber se qual amor existe em Deus? Isso é muito importante, pois Deus efetivamente não tem esse amor erótico.
Paulo nos ensina sobre o amor de modo geral em sua primeira carta aos Coríntios. Vejamos:
1 Coríntios 13:4-8.
⁴ O amor é paciente e bondoso. O amor não arde em ciúmes, não se envaidece, não é orgulhoso,
⁵ não se conduz de forma inconveniente, não busca os seus interesses, não se irrita, não se ressente do mal.
⁶ O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
⁷ O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
⁸ O amor jamais acaba. Havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará.
Nessa Passagem podemos ver características do amor e não um conceito em si, mas o amor, seja lá o que for, é tudo isso que Paulo disse; é algo paciente, bondoso, não é vão, não arde em ciumes, é humilde, é conveniente, não é egoísta, não guarda ressentimento, se alegra com a verdade e detesta a injustiça, sofre, crê, espera, suporta, e não acaba! Ual!
Será que o que você sente pelos seus pais é assim? Será que é isso que você sente por aquela menina ou menino que você diz que ama?
O amor, seja lá o que for, é algo que resulta na prática. A Palavra de Deus nos ensina que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu unigênito filho para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha vida eterna! Veja que o amor de Deus resultou em algo prático!
Repare que o amor é algo extramemente bom para o objeto amado, pois garante que o amante terá paciência, humildade, conveniência, altruísmo, justiça, verdade e até sofrerá pelo objeto amado. O amor de Deus é descrito em ação em João:
João 3:16-17. ¹⁶ Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. ¹⁷ Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
O que significa Deus ter dado seu Filho? Que entregou seu Filho à morte. Vejamos:
Atos 2:22-23. ²² — Israelitas, escutem o que vou dizer: Jesus, o Nazareno, homem aprovado por Deus diante de vocês com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou entre vocês por meio dele, como vocês mesmos sabem, ²³ a este, conforme o plano determinado e a presciência de Deus, vocês mataram, crucificando-o por meio de homens maus.
E quem é esse Filho? O próprio Deus:
João 1.1. ¹ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Marcos 1.1. ¹ Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Porque foi então que o próprio Deus se entregou e morreu? “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Observe como Deus mesmo encarnou e morreu; para que? Para salvar seu povo!
O que podemos perceber, portanto? Que o amor é boa vontade, sempre desejando o bem de seu objeto e nunca o mal[1], é um “querer bem”.
É importante destacar, porém, que amar os outros não é gostar daquilo nos outros que faz bem a si próprio. Posso ficar tão feliz com a beleza e o canto de um passarinho que prendo ele na gaiola. Isso é amor? Prejudicar o pássaro e sua alegria? Aqui eu não amaria o pássaro, mas a mim mesmo; eu amaria a alegria que o pássaro causa em mim, mas não amaria o pássaro.
O amor, portanto, é querer bem.
O AMOR DE DEUS POR SEU POVO
Como vimos, é evidente que Deus ama. Para dar ênfase, a Bíblia nos diz que “Deus é amor”. Com isso não se quer dizer que Deus e amor são a mesma coisa, mas é uma figura de linguagem que denota que o amor faz parte da essência Divina[2].
Se Deus ama, é óbvio que Ele ama Seu povo, Seus escolhidos. Pensemos um pouco sobre isso.
O amor salvífico de Deus
Como vimos, João 3.16 nos ensina que o amor de Deus foi tão grande que O levou a encarnar, sofrer e morrer por nós! Ora, é justamente “Nisto [que] consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10), porque “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5:8).
Podemos observar, claramente, que “Deus amou o Seu povo enquanto ele estava num estado natural, destituído de toda graça, sem qualquer partícula de amor para com Ele ou fé nEle; sim, enquanto era o Seu inimigo”[3]. Será que poderíamos dizer que Deus não nos ama?
A Bíblia é clara em nos explicar que a prova do amor de Deus por nós não são os bens, a popularidade, a riqueza, algum outro tipo de prosperidade material e nem a ausência de sofrimento, mas a prova do amor de Deus por nós é que Ele mesmo encarnado, Jesus, morreu para nos salvar dos nossos próprios pecados! Deus sempre soube o que nós faríamos, sempre soube de cada pecado que nós iríamos cometer, e por sua Justiça deve condenar o pecado, mas ainda assim ele nos deu vida e vida eterna, mesmo assim nos perdoa por meio da fé em Jesus Cristo. Nisto consiste o amor de Deus: em que Deus se sacrificou e morreu por nós! Deus quer bem o Seu povo, a tal ponto de se entregar por eles!
O amor de Deus lança fora todo o medo
Esse amor de Deus é tão verdadeiro que tem implicações fenomenais.
1 João 4:16-19.
¹⁶ Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.
¹⁷ Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele.
¹⁸ No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.
¹⁹ Nós amamos porque ele nos amou primeiro.
Visto que esse amor de Deus por seu povo é grande o bastante para o salvar, então “nada é mais absurdo do que imaginar que alguém amado por Deus possa perecer eternamente ou possa experimentar a Sua vingança eterna”[4]. É impossível que alguém alvo desse amor salvífico do Senhor perca a salvação ou não enontre perdão; é impossível que tal amado do Senhor seja rejeitado; é impossível que esse amado do Senhor não habite eternamente com Ele.
Tozer chega a dizer que “algumas pessoas acreditam na segurança dos santos de Deus por motivos teológicos. Basearam-se na ideia de algum texto. Creio na segurança dos santos de Deus porque Deus é amor e sempre preserva o que ele ama. Nós sempre preservamos o que amamos […]”[5]. Efetivamente João nos lembra isso: estar sob o amor de Deus nos permite lançar fora todo o medo, lançar fora o medo da condenação, pois ela não pode nos alcançar. Deus nos ama! Glórias a Deus que é digno de toda exaltação. Louvado seja o Senhor, nosso Deus, que nos ama com amor eterno.
O amor altruísta de Deus
Hebreus ainda nos diz que Cristo, Deus que se encarnou, nos compreende plenamente:
Hebreus 4.14-16. ¹⁴ Tendo, pois, Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que adentrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.
¹⁵ Porque não temos sumo sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas; pelo contrário, ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.
¹⁶ Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno.
Observe a riqueza dessa Passagem. Nós temos um sumo sacerdote que pode se compadecer de nossas fraquezas. Mas o que é isso? O termo traduzido por se compadecer é, no grego, συνπαθῆσαι [pronuncia-se “sinpatíce”], que nos recorda muito o “simpatizar” em português. Compadecer é participar dos sofrimentos, é ser tolerante[6]. Portanto, Jesus participa dos nossos sofrimentos, Ele nos entende, compreende o que passamos, sabe de nossas dificuldades, pois ele viveu com tentações se apresentando à ele, porém ele resistiu.
Assim, podemos saber que o grande amor de nosso Deus o levou a sofrer o mal na própria pele (literalmente), mas ainda hoje sofre conosco nosso sofrimento. Deus sabe exatamente o que passamos!
Isso nos dá essa confiança para nos achegarmos ao Trono da graça, um trono caracterizado pelo favor de Deus, para recebermos misericórdia, que é a compaixão, a piedade, a pena, a consideração de nossa miséria. E nesse trono, em Deus, podemos saber que acharemos graça, favor, ajuda, nos momentos de necessidade.
Deus tanto nos ama como Seu povo que nos compreende, sabe pelo que passamos e além de ter pena de nós e considerar nossa fraqueza, ainda nos auxilia. Que grande amor!
O amor de Deus prova sua confiabilidade
Sabemos que cada humano tem um problema muito profundo, tendo falsas crenças gravadas em seu coração desde o nascimento, o que torna impossível resolver seus problemas com discursos moralistas e motivacionais[8]. O que todo pecador precisa é do novo nascimento e de plena confiança em Deus. Mas como confiar em um Deus que não se conhece? Como confiar em um Deus que não sabemos se é amoroso e bom? É impossível!
A Bíblia é recheada de Trechos nos instruindo a confiar em Deus, mas se não conhecermos o amor de Deus, como confiaremos?
Nas Passagens acima vimos sobre o amor de Deus, um amor imensurável, que entregou a própria vida em nosso favor. Esse é o amor de Deus para conosco, seus escolhidos. Deus é “longânimo e grande em misericórdia” (Nm 14.18), Ele recebe nossas ansiedades e cuida de nós (1 Pe 5.7), ele sabe exatamente como é estar em nosso lugar (Hb 4.15) e nos atende com compaixão e graça para nos auxiliar (Hb 4.16), nos perdoa todos os pecados (Rm 4.25), nos dá, em Cristo, tudo que precisamos (Rm 8:32) e nada jamais poderá nos separar Dele (Rm 8.33-39).
Esse é o nosso Deus, o Deus presente, que se importa com nossos sofrimentos, com nossos desejos, com nossos anseios, com nossa necessidade, que perdoa nossos pecados, que tolera e nos auxilia em fraqueza, que compreende nossa timidez; é um Deus que nos ama e cuida de nós. Como não poderíamos confiar nesse Deus? Glórias a Deus que é digno de toda nossa confiança!
O amor e o sofrimento do Cristão
Como, então, conciliar o amor de Deus com o sofrimento na vida Cristã?
Primeiramente, devemos nos lembrar que a prova do amor de Deus para conosco é que Ele nos salvou.
Em segundo lugar, precisamos relembrar que o amor de Deus por Seu povo não significa que Ele não o deixará passar por castigos, pois quando olhamos para a Bíblia, vemos Deus tratando Seu próprio povo de modo severo por conta de Seu pecado. Isso ocorre porque “O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (1 Co 13.6), portanto, ainda que sejamos amados por Deus, se desobedecermos, certamente seremos disciplinados, pois “o Senhor corrige a quem ama e castiga todo filho a quem aceita” (Hb 12.60), de tal modo que “se estão sem essa correção, da qual todos se tornaram participantes, então vocês são bastardos e não filhos” (Hb 12.8).
Por fim, a maldade é fruto do pecado humano, e tal maldade pode afetar até mesmo os filhos amados de Deus, como afetou Jó, homem justo e íntegro diante de Deus, que sofreu as maldades de satanás e as acusações injustas de 3 dos seus amigos.
Diante do sofrimento e dos castigos, devemos nos manter firmes e confiantes, sabendo que nosso Deus continua nos amando e cuidando de nós, pois para o Cristão, até mesmo a tristeza proveniente de Deus vem para o bem (2 Co 7.10).
CONCLUSÃO
Em conclusão, sabemos que Deus é amoroso, que cuida de nós e se importa conosco, sendo misericordioso com a gente e totalmente digno de nossa inteira confiança.
CONTEXTUALIZAÇÃO E APLICAÇÕES
Muitas vezes podemos esquecer do amor de Deus. Podemos viver uma vida focada no moralismo e na motivação humana, esquecendo-se, porém, do grande amor de Deus por nós. Essa situação faz nossa vida intensamente mais pesada e dura, e certamente nos priva de encontrar comunhão, alegria e paz em Deus.
Como lidar com essa situações na prática, e como a nossa vida pode ser transformada a partir do conhecimento do amor e Deus?
Reconheça o amor de Deus com base em Seu sacrifício
Quando você estiver em dúvida se Deus te ama, veja se você crê Nele, pois, se crê, então é porque Ele morreu por ti e certamente te ama. Ainda que você passe por dificuldade nessa vida, lembre-se que Deus está cuidando de Ti e já te garantiu a vida eterna.
Confie totalmente em Deus
Às vezes nossa dificuldade em confiar em Deus é porque não sabemos que Deus é tão amoroso. Como poderíamos confiar a nossa vida por completo a alguém que não nos ama?
Vimos, porém, que Deus é amor e que nos ama de forma sacrificial e perfeita; por isso podemos confiar totalmente em Deus, confessando que entregamos nossas vidas nas Suas mãos para Ele conduzir como quiser, pois sabemos que nosso Deus amoroso cuidará muito bem de nós!
Busque perdão sempre que acabar pecando
Nós não devemos pecar, porém, se pecarmos, temos um Advogado juntao ao Pai. Confiemos em Jesus, nosso Senhor, e assim nos acheguemos a Deus, sabendo que, por meio Dele, encontraremos perdão no nosso Deus amoroso que deseja nos perdoar e se esquecer de nossos pecados (Is 43.25;, Jr 31.34; Hb 10.17-18)!
Ame como Deus ama
Por fim, sabemos que Cristo é nosso exemplo e, se ele ama dessa maneira, devemos amar também. Conhecer o amor de Deus molda a forma como amamos uns aos outros, pois jamais poderemos ser melhor que nosso Deus. Se você não conhece o amor de Deus, como amará seu irmão?
Portanto, agora conhecendo mais do amor de Deus por você e por Seu povo, ame o seu próximo com paciência, humildade, graça, compaixão, perdão e justiça.
REFERÊNCIAS
COLE, Cameron; et NIELSON, Jon. Minstério de Jovens e Adolescentes centrado em Cristo. Tradução: Renan Lima. Rio de Janeiro: Pro Nobis Editora, 2024.
PINK, A. W. Os Atributos de Deus. Tradução: Odayr Olivetti. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2016.
TOZER, A. W. Os atributos de Deus: uma viagem ao coração do pai. Vol. 2. Tradução: Maria Emília de Oliveira. 1ª Ed. São Paulo: Editora Vida, 2022.
[1] TOZER, A. W. Os atributos de Deus: uma viagem ao coração do pai. Vol. 2. Tradução: Maria Emília de Oliveira. 1ª Ed. São Paulo: Editora Vida, 2022, p. 190.
[2] TOZER, A. W., Op. Cit., p. ??
[3] PINK, A. W. Os Atributos de Deus. Tradução: Odayr Olivetti. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2016, p. 139.
[4] PINK, A. W. Os Atributos de Deus. Tradução: Odayr Olivetti. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2016, p. 135
[5] TOZER, Op. Cit., p. 202.
[6] Cf. https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/compadecer.
[7] TOZER, Op. Cit., p. 135
[8] COLE, Cameron; et NIELSON, Jon. Minstério de Jovens e Adolescentes centrado em Cristo. Tradução: Renan Lima. Rio de Janeiro: Pro Nobis Editora, 2024, p. 35

