As origens dos Batistas e a Restauração do Batismo de Crentes por Imersão

Autor

  • Pr. Antônio Marcos - Opera Bíblica

    Bacharel em Teologia (2021), especialista em Teologia do Novo Testamento Aplicada (2022), ambos pela Fabapar – Faculdades Batista do Paraná; Mestrando em Arts in Reformed Baptist Studies pelo Seminário Batista Confessional do Brasil em parceria com o Covenant Baptist Theological Seminary – Kentucky (EUA). Bacharel em Administração de Empresas pelo Unibrasil (2016) e pós-graduando em Direito (2025) pelo Uninter. Pastor na Igreja Batista Reformada de Curitiba - Brasil. E-mail para contato amllima@yahoo.com.br.

    Pr.

Título em inglês: the origins of the baptists and the restoration of believers’ baptism by immersion

RESUMO

O artigo procura examinar as origens e contribuições teológicas dos primeiros batistas desde seu surgimento na Inglaterra do século XVII, com foco no resgate da prática neotestamentária do batismo de crentes por imersão. A pesquisa explora as distinções históricas e doutrinárias entre batistas gerais e batistas particulares, onde ambos emergem do separatismo puritano inglês. Por meio da análise de documentos históricos, confissões, como por exemplo, as confissões de fé e outras obras teológicas de referência sobre o assunto. O estudo destaca como esses grupos rejeitaram o batismo infantil (pedobatismo) em favor do credobatismo — batismo mediante uma profissão pública e pessoal de fé — como um retorno à prática do Novo Testamento. As principais descobertas revelam que os batistas particulares, influenciados pela teologia separatista e pelo estudo das escrituras, reintroduziram a imersão como o modo normativo na década de 1640, documentado no Manuscrito Kiffin. Essa mudança os distinguiu das demais igrejas estatais, outros grupos reformados, reforçando sua identidade. O estudo ressalta o legado duradouro dos batistas na defesa da liberdade religiosa, separação entre igreja e estado e uma eclesiologia prioritariamente biblicista. As considerações finais enfatizam o impacto do movimento nas práticas evangélicas modernas, notavelmente a adoção majoritariamente do batismo de crentes por imersão. A pesquisa contribui para a teologia histórica ao esclarecer a evolução doutrinária dos batistas e seu papel na dissidência protestante, convidando a um estudo mais aprofundado sobre sua influência em contextos contemporâneos, como as igrejas batistas brasileiras.

Palavras-chave: Batistas; Credobatismo; Inglaterra Século XVII; Reforma Protestante.

ABSTRACT

This article examines the origins and theological contributions of early Baptists since their emergence in 17th-century England, with a focus on the revival of the New Testament practice of believer’s baptism by immersion. The research explores the historical and doctrinal distinctions between General Baptists and Particular Baptists, both of which emerged from English Puritan separatism. Through the analysis of historical documents, confessions, such as the Confessions of Faith, and other theological reference works on the subject, the study highlights how these groups rejected infant baptism (pedobaptism) in favor of credobaptism—baptism through a public and personal profession of faith—as a return to New Testament practice. The main findings reveal that Particular Baptists, influenced by separatist theology and scriptural study, reintroduced immersion as the normative mode in the 1640s, as documented in the Kiffin Manuscript. This change distinguished them from other state churches and other Reformed groups, reinforcing their identity. The study highlights the lasting legacy of Baptists in defending religious freedom, separation of church and state, and a primarily biblical ecclesiology. The final considerations emphasize the impact of the movement on modern evangelical practices, notably the majority adoption of believer’s baptism by immersion. The research contributes to historical theology by clarifying the doctrinal evolution of Baptists and their role in Protestant dissent, inviting a more in-depth study of their influence in contemporary contexts, such as Brazilian Baptist churches.

Keywords: Baptists; Credobaptism; 17th Century England; Protestant Reformation.

INTRODUÇÃO

A história do cristianismo é marcada por uma variedade de crenças, tradições e práticas, a grande maioria destas crenças e práticas acabam por definir algumas destas tradições, e este é o caso dos batistas, onde a crença e a prática do batismo acabaram por definir a própria tradição em si. Esta tradição tem sua gênese no século XVII, na Inglaterra, advinda do movimento puritano inglês, que por entender a necessidade uma reforma mais profunda do seio da Igreja Anglicana, decidiu-se por separar-se em busca de uma pureza maior à luz das Escrituras. O cenário religioso neste período foi marcado por intensas transformações sociopolíticas e por consequência, por debates teológicos. Nesse contexto, emergiram os batistas, primeiramente conhecidos como batistas gerais, com influências diretas da compreensão da doutrina da expiação, onde professavam que Cristo havia morrido pela humanidade toda de forma ampla e geral, e por esta razão, ficaram conhecidos como batistas gerais, isso ocorreu por volta dos anos de 1612. Algum tempo depois, por volta de 1639-1642 surgem de forma independente deste primeiro grupo, outro grupo autodeterminado batistas, contudo, ao contrário dos batistas gerais, professavam que Cristo havia morrido de forma limitada ou particular para salvar somente e cada um dos eleitos e por esta razão ficaram historicamente conhecidos como batistas particulares. Cabe ressaltar que ambos os grupos batistas, gerais e particulares em suas gêneses, lutavam por liberdade religiosa, separação da igreja e estado e uma membresia batizada sob uma profissão de fé, chamado de credobatismo, diferentemente de outros grupos protestantes da época, como luteranos, presbiterianos e congregacionais que mantinham a prática do batismo de infantes, um resquício do catolicismo romano, na visão dos batistas, muito embora com diferentes interpretações doutrinárias a respeito.

Diante disso, este pequeno artigo visa analisar o batismo na perspectiva dos primeiros batistas na Inglaterra do século XVII, explorando as origens históricas e as contribuições teológicas desse movimento. Serão abordadas questões como a distinção entre os batistas particulares e os batistas gerais, a influência que cada grupo recebeu para o desenvolvimento deste assunto na teologia batista, e o papel do batismo de crentes por imersão como distintivo neotestamentário em contraposição ao batismo de infantes por aspersão ou efusão. Através da análise de documentos e registros históricos, bem como de obras teológicas produzidas por acadêmicos e pelos primeiros batistas, buscaremos compreender as raízes e a evolução do pensamento batista no contexto inglês do século XVII.

Além disso, investigaremos as implicações práticas dessa visão para a vida comunitária e a prática do batismo nas congregações locais deste tempo, bem como a influência disso no cenário atual das igrejas brasileiras. Com este estudo, esperamos contribuir para uma compreensão mais aprofundada do batismo de adultos por imersão na tradição protestante, especialmente no contexto histórico e cultural da Inglaterra do século XVII. Também pretendemos destacar a relevância do legado dos batistas para o desenvolvimento da teologia e das práticas eclesiásticas, bem como a luta pela liberdade religiosa e de consciência de acordo com o livre exame das Escrituras e a diversidade de expressões de fé no meio batista.

1 BREVE HISTÓRICO DOS BATISTAS GERAIS E PARTICULARES

Inicialmente é preciso apresentar de forma brevíssima as três principais teorias que ainda persistem acerca do surgimento dos batistas. As três teorias são (1) Teoria JJJ – Jerusalém, Jordão, João Batista; (2) Teoria Influência Anabatista e (3) Teoria dos Puritanos Separatistas ingleses. O renomado pastor e historiador batista Dr. Zaqueu Moreira de Oliveira afirma que a Teoria JJJ – Jerusalém, Jordão e João Batista ensina que há uma sucessão ininterrupta de alguns grupos que ao longo da história mantinham “certas” características que os distinguiam dos demais e que estas características são semelhantes ao que hoje se professa como batista, contudo, assevera que esta teoria falta de elementos históricos robustos[1]. Esta teoria foi amplamente divulgada por meio de um livro de autoria do pastor batista norte-americano J. M. Carrol (1858–1931) intitulado “O Rasto de Sangue”, onde o autor discorre sobre esta teoria[2]. Na gama desta teoria há enormes dificuldades de comprovação histórica, ainda mais que muitos dos grupos apresentados como “pré-batistas” foram condenados como hereges por terem práticas condenadas pelas Escrituras Sagradas, como por exemplo, o fato do movimento montanista[3] por meio do seu fundador, Montano, dizia ser um cristão que alegava estar sob a direta inspiração do Espírito Santo. Ele se autodenominava a “boca de Deus”, e dizia que o Espírito Santo falava por meio dele, introduzindo novas revelações, o próprio Eusébio de Cesareia, escreveu o seguinte a respeito de Montano:

“E ele ficou fora de si e, de repente, em uma espécie de frenesi e êxtase, delirou e começou a balbuciar e a dizer coisas estranhas, profetizando de uma maneira contrária ao costume constante da Igreja transmitido pela tradição desde o início”[4].

Há também outras crenças muito questionadas e que para os batistas atualmente seria um disparate considerá-los como um grupo pré-batista, pelo fato de defender algumas ideias que hoje os batistas defendem como a aversão ao batismo infantil. Cabe ressaltar que atualmente muitos batistas no Brasil defendem esta teoria, dada a ampla disseminação existente entre os seminários batistas. Corroborando com isto, há um texto no site da CBB – Convenção Batista Brasileira que indica ser esta a posição oficial da convenção:

Com o nome de Batista existimos desde 1612, quando Thomas Helwys, de volta da Holanda, onde se refugiara da perseguição do Rei James I da Inglaterra, organizou com os que voltaram com ele uma Igreja em Spitalfields, arredores de Londres.[5]

Ao afirmar peremptoriamente que “com o nome batista existimos desde 1612”, pode levar a compreensão que os batistas podem ter existido com outros nomes anteriormente a 1612 e com isso deixa margem a uma predileção pela teoria JJJ – Jerusalém, Jordão e João Batista, por parte da CBB – Convenção Batista Brasileira, pois é exatamente isso que esta teoria defende, que durante todo o período do ano 30 d.C até o século XVII os batistas existiram com outros como apontados acima.

A segunda teoria é a teoria de influência anabatista ou simplesmente da herança espiritual dos anabatistas. Esta teoria, em suma afirma que, de alguma forma os batistas sofreram influências espirituais dos anabatistas em relação ao princípio do anti-pedobatismo, ou seja, ao rechaçar o batismo de infantes. Este grupo chamado anabatista existe desde o século III como sendo uma designação de diversos grupos condenados como hereges por praticar um batismo diferente[6]. Na idade média este grupo ficou conhecido como sendo um grupo radical e fora da lei que defendia em certa medida uma sociedade anarquista. É importante ressaltar que os batistas quando surgiram no século XVII no prefácio de sua 1ª Confissão de Fé Batista de Londres de 1644, apresentado pelos batistas particulares, eles negam qualquer ligação com o grupo anabatista, de acordo com o subtítulo da obra: “A confissão de fé de sete congregações ou igrejas de Cristo em Londres, que são comumente, embora injustamente, chamadas de anabatistas”[7], muito embora, houvesse uma certa semelhança em relação a compreensão do batismo, todavia, por exemplo, Winthrop Hudson, um historiador batista americano, afirma categoricamente que os anabatistas não eram batistas e vice-versa[8]. Em contraposição a esta afirmação Hudson e Payne apontam o puritanismo inglês como o viveiro de onde surgiu o movimento batista e que esta influência não foi diretamente aos batistas, mas de influência anabatista dentro do puritanismo, especialmente em sua forma separatista[9]. Ainda sobre esse mesmo prisma é seguro dizer que estes últimos são descendentes espirituais de alguns dos primeiros, como no caso, que será visto a seguir dos batistas gerais de língua inglesa e os menonitas de Waterlands[10], em Amsterdã[11]. A influência anabatista na vida dos “batistas particulares” não é tão direta e evidente, portanto, até que novos documentos revelem o contrário, não é correto afirmar que os anabatistas “evangélicos” como os fundadores da denominação batista, mas como seus precursores imediatos, dado o fato deles defenderem princípios que os batistas também passaram a abraçar, os laços doutrinários e espirituais são muitos, mas faltam os históricos[12]

A terceira e última teoria, e a que será considerada neste artigo é a teoria originária dos separatistas ingleses. Esta teoria é a que possui consistência e embasamento histórico e é majoritariamente aceita no mundo acadêmico[13]. Esta teoria comprova o fato que o movimento batista como é conhecido hoje são frutos do movimento puritano separatista inglês do século XVII. Esta teoria será considerada e explorada a seguir neste artigo com duas vertentes diferentes, os batistas gerais e os batistas particulares. Primeiramente com a igreja separatista de John Smith (1570-1612) e Thomas Helwys (1550?-1616?), inicialmente em Gainsborough, Inglaterra[14]

Acerca do surgimento do grupo dos batistas gerais se deu de forma amplamente conhecida por muitos, por esta razão não será exposto de forma exaustiva e nem de forma pormenorizada. No ano de 1609, surgiu na Holanda um pequeno grupo de ingleses exilados, que mais tarde foi denominado de Batistas Gerais, eles eram formados por separatistas ingleses. O motivo de estarem na Holanda foi a fuga da perseguição promovida pelo rei James I. Na Holanda sob a liderança de dois homens, John Smith e Thomas Helwys, fundaram aquela que ficou conhecida como a primeira Igreja Batista[15]. O primeiro pastor desta pequena congregação foi John Smith, que tinha formação teológica em Cambridge[16]. Ele contou com um auxiliar muito importante, que era leigo e advogado, Thomas Helwys. Eles, que antes eram anglicanos, tornaram-se seguidamente separatistas e puritanos, e logo depois precursores dos batistas, recebendo influências diretas dos anabatistas Waterlands. A enorme contribuição que os batistas gerais trouxeram foi uma incansável luta pela liberdade religiosa defendida de forma ferrenha por Helwys na sua obra “Breve declaração do mistério da iniquidade”, publicada em 1612[17]

Os batistas gerais, também conhecidos como batistas de linha arminiana, eram uma vertente do movimento batista que defendia a ideia de que a expiação realizada por Cristo na cruz era de forma ampla e geral para todas as pessoas, indistintamente da predestinação divina. Os batistas gerais foram perseguidos e oprimidos pelo estado inglês e pela Igreja anglicana, que os consideravam uma ameaça à sua autoridade e poder. Muitos batistas foram presos, torturados e executados por suas crenças religiosas.

Já os batistas particulares tiveram uma origem muito diferente daquela dos “gerais”, pois eles não tiveram tantos contatos concretos com os anabatistas do continente, tendo seu surgimento entre alguns grupos dissidentes de uma congregação claramente inglesa e semi-separatista, cuja teologia calvinista eles mantiveram e por esta razão são chamados de “particulares”, porque eram defensores da doutrina da expiação particular, isto é, que Cristo morreu somente pelos eleitos, sendo estabelecida em Londres em 1616 sob a liderança de Henry Jacob[18], sendo composta exclusivamente por congregacionalistas puritanos separatistas. Esta primeira congregação com características batistas foi reconhecida como a igreja JLJ – das iniciais dos seus primeiros pastores: Henry Jacob; John Lathrop e Henry Jessey[19]. Depois deste período inicial houve uma enorme questão a ser resolvida entre os membros desta congregação, a questão do batismo.

A primeira secessão significativa foi a de um certo Dupper e um grupo de seguidores que rejeitaram categoricamente a validade do batismo administrado pelo clero anglicano. Eles concluíram que a Igreja Anglicana era apóstata e, portanto, seu batismo não tinha valor. Um segundo passo foi dado em 1633, quando outro grupo de dez pessoas se separou da “igreja mãe” para formar uma nova congregação que não admitia membros da Igreja Anglicana. Entre os fundadores estavam Mark Lucas e Thomas Sheppard. Logo, mais oito pessoas se juntaram, entre elas Samuel Eaton e Richard Blunt. Eaton e outros, evidentemente, foram batizados novamente, embora até esse ponto do desenvolvimento a questão do batismo infantil não estivesse em pauta. O processo foi concluído em 1638, quando outro grupo pediu permissão para se separar da “igreja-mãe”, com base na convicção de que somente os crentes deveriam ser batizados; ou seja, era uma rejeição do batismo infantil como um ato antibíblico. Aqui estamos em terreno histórico sólido. Esta congregação foi estabelecida com base na doutrina do batismo dos crentes. John Spilsbury foi o primeiro pastor[20]

Esta sim, agora, pode ser considerada como a primeira igreja batista particular de fato, isso ocorreu no ano de 1638, tendo John Spilsbery como seu primeiro pastor batista particular que se tem registro histórico. Sobre Spilsbery é possível afirmar que foi um dos pioneiros do movimento batista particular no século XVII. Reconhecido como um dos primeiros defensores do batismo de crentes por imersão, rejeitava o batismo infantil, por isso enfatizava que o batismo deveria ser reservado apenas a pessoas que professassem sua fé, seguindo o modelo neotestamentário, além de defender a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa, ideias que moldariam o pensamento batista e protestante subsequente[21]

Um passo seguinte muito significativo para os batistas particulares foi a produção da Primeira Confissão de Fé Batista de Londres em 1644 por John Spilsbery, William Kiffin e Hansed Knollys, dentre outros, redigiram uma confissão onde eles declaravam suas crenças e de suas congregações. Um total de quinze pastores batistas particulares participaram da elaboração deste documento representando as setes igrejas e impresso por Matthew Simmons em Aldersgate-street, no ano de 1644[22], essa confissão precedeu a famosa Confissão de Fé de Westminster por dois anos e teve como fonte primária seus editores, na confissão Separatista escrita por Henry Ainsworth, um membro da congregação Separatista de Francis Johnson, a True Confession (1596) e The Marrow Theology, escrito por um Puritano William Ames[23], com um propósito específico: provar que eles tinham muitas coisas em comum com as igrejas reformadas da época e ministros de então e também acabar com a confusão provocada pelos ingleses, que continuavam dizendo que os batistas eram os já conhecidos anabatistas, tanto isso é verdadeiro que já no prefácio da obra é dito “A confissão de fé de sete congregações ou igrejas de Cristo em Londres, que são comumente, embora injustamente, chamadas de Anabatistas”[24]

Desde então, os batistas particulares se desenvolveram e cresceram dentro da Inglaterra como sucessores de uma reforma um pouco mais profunda dentro da Igreja Anglicana onde existia uma teologia mais protestante contudo uma liturgia e eclesiologia mais católica, sendo assim os batistas particulares podem ser vistos como um dos grupos herdeiros do puritanismo inglês[25]. Notavelmente os batistas sempre tiveram em seu DNA alguns temas que fortemente são defendidos e reconhecidos como distintivos. Pode-se destacar a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, uma defesa da separação entre a igreja e o estado, uma defesa da liberdade de consciência do indivíduo e o batismo de crentes por imersão mediante pública profissão de fé. Um outro aspecto muito relevante dos batistas é um imenso interesse por missões, uma preocupação evidente em anunciar as a mensagem das boas novas de salvação como descrito na Bíblia Sagrada a todos as pessoas e em todos os lugares do mundo.

2 OS BATISTAS E O BATISMO

Depois de toda esta discussão e estabelecimento do batismo com um grupo cristão, é importante examinar de fato ele foi concebido e realizado. Sempre houve ao longo da história da teologia cristã algumas discussões em torno de assuntos práticos da vida da igreja. Dentre os assuntos debatidos está o batismo, ou melhor a forma e o significado batismo. Historicamente existem dois tipos principais de grupos cristãos: os pedobatistas[26] mais conhecidos são os católicos romanos, anglicanos ou episcopais, luteranos, congregacionalistas estrangeiros e presbiterianos, estes são comumente chamados de pedobatistas, porque batizam infantes, geralmente por aspersão, contudo, cada um desses grupos, assim praticam por diferentes razões, significados, e interpretações teológicas e do outro lado, os credobatistas[27] onde os estão os batistas e muitas outras tradições evangélicas contemporâneas, fortemente influenciadas pelos batistas, são consideradas como credobatistas, pois batizam somente pessoas capazes de professaram publicamente sua fé de forma imersionista.

Inicialmente é importante destacar que a prática do batismo de infantes não é encontrada de forma clara nas linhas do novo testamento, todavia, sua prática é encontrada no início do terceiro século somente. Durante o primeiro e segundo séculos, nos escritos da patrística não se referem ao batismo infantil. O primeiro tratado existente sobre o assunto vem das obras de Tertuliano de Cartago. Em sua obra, “Sobre o Batismo”, Tertuliano procurou desacreditar a validade do batismo infantil. A segunda referência relativa ao batismo de infantes é a “Tradição Apostólica”, de Hipólito, na metade do terceiro século e nessa obra, Hipólito afirma que apenas os catecúmenos eram candidatos apropriados ao batismo, indicando a exclusão de bebês[28]. A primeira referência ao batismo infantil no período patrístico foi feito por Cipriano de Cartago que escreve em apoio ao batismo infantil, na sua epistola 58, ao descrever uma decisão de um sínodo africano em 253 d.C., que exige o batismo infantil[29]. Em seguida Cipriano assevera que o batismo infantil não era uma opção, mas um dever. Com o passar do tempo, a prática cresceu em popularidade. Embora parecesse pelos escritos de Tertuliano e Hipólito que a prática foi originalmente recebida com oposição, no quarto século, os pais da igreja escreveram quase exclusivamente em favor do pedobatismo.

Entendido a antiguidade da prática do batismo de infantes é preciso compreender a significância e interpretação dado a isso. Basicamente existem duas compreensões para as práticas do batismo de infantes: aqueles que sustentam que o batismo infantil proporciona a salvação por meio do próprio rito (ex opere operato, ou “pelo trabalho realizado”), e no outro grupo aqueles que acreditam que enquanto o batismo infantil não concede inerentemente a salvação, contudo, considera sendo um ato necessário[30]. Dentre estes grupos ainda há oito formas diferentes de se interpretar o batismo infantil que não serão abordados nesse breve artigo, contudo, cabe a citação: (1) Fides Aliena: A igreja supre a fé necessária para o batismo pelo infante; (2) Fides Infusa: O batismo infunde fé no infante; (3) Fides Infantium: A fé dos próprios infantes está presente no batismo; (4) Simbolismo Sacramental: A legitimidade do batismo infantil é independente da fé; (5) Pré-credobatismo: O batismo precede a fé no infante, mas não garante a fé; (6) Regeneração Presumida: A igreja presume que os seus infantes batizados têm fé até que se prove o contrário; (7) Regeneração Batismal: O batismo comunica fé a todos os infantes (incluindo os não eleitos) e (8) Pedofé: Os infantes têm fé antes do batismo[31]

Sem, necessariamente, considerar todas as interpretações possíveis acima, apenas analisando o batismo na igreja primitiva[32] é possível apontar que a interpretação do batismo é realmente uma questão extensivamente bíblica, independentemente de qual ponto de vista seja defendido[33]. Além disso, neste debate tornou-se muito comum apelar para a história da igreja primitiva, isto, porque, geralmente quando há uma disputa acerca da veracidade de uma prática é preciso retornar o mais perto possível do início desta prática para averiguar se lá no começo a prática do batismo era realizada de acordo com aquilo que se entende como a forma e a compreensão bíblica e conforme já argumentado acima, não havia relatos de tal prática nos primeiros séculos, somente a partir do terceiros século. Veja o relato de Tertuliano em sua obra “Sobre o Batismo” citado acima:

Se não está prescrito em nenhuma passagem da Escritura, não há dúvida de que o costume, decorrente da tradição, o confirmou. Por que como algo pode entrar em uso que não foi passado adiante? Você até diz que, ao defender a tradição, a autoridade escrita deve ser exigida. Perguntemos, então, se a tradição, a menos que seja escrita, não deve ser admitida. […] Vou começar com o batismo. Pouco antes de entrar na água, na presença da congregação e sob a mão daquele que preside, professamos solenemente que renunciamos ao diabo, sua pompa e seus anjos. Naquele momento, mergulhamos três vezes, fazendo uma promessa um pouco mais ampla do que o que o Senhor designou no Evangelho.[34]

Dito isto, a discussão acerca do indivíduo a quem deveria ser administrado o batismo, de infantes ou somente adultos confunde-se também com a forma, se deveria ser por imersão ou aspersão, é claro que este artigo não pretende esgotar o assunto, pois demandaria de muitas e muitas páginas a mais e não há esta pretensão, tendo em vista existir muitas obras de boa qualidade teológicas indicadas nos rodapés deste artigo, contudo, precisamos considerar a opinião de um dos maiores nomes da reforma protestante. João Calvino, sabidamente um dos mais reconhecidos reformadores do século XVI e um pedobatista assumido em seus escritos ao defender tanto o pedobatismo – batismo de infantes, como o modo de aspergir água em vez de imergir na água. O próprio João Calvino em sua obra mais famosa “As Institutas da Religião Cristã” afirma e reconhece que o termo batizar significa imergir e que esta era a prática da igreja primitiva:

“Se a pessoa batizada deve ser totalmente imersa, e isso uma ou três vezes, ou se ela deve ser apenas aspergida com água, não é de mínima conclusão: as igrejas devem ter a liberdade de adotar um ou outro de acordo com a diversidade de climas, embora seja evidente que o termo batizar significa imergir, e que esta era a forma utilizada pela Igreja primitiva.”[35]

O Dr. Downing[36] aponta que o próprio Arcebispo anglicano Whately, conhecidamente pedobatista, reconhece que até o quarto século havia pouquíssimas exceções de prática de batismo, que não fosse por imersão “exceto em ocasiões extraordinárias, o batismo era raramente, ou talvez nunca, administrado durante os primeiros quatro séculos, senão por imersão ou mergulho”. Isso corrobora com a citação acima de Tertuliano de Cartago. Diante disso, a prática de batismo de infantes e o abandono da forma imersionista foi pouco a pouco sendo abandonada durante os séculos seguintes, chegando ao ponto de no período da reforma protestante do século XVI, ser quase inexistentes, senão fosse, pequenos grupos que ainda a mantinha.

Por fim, foram os batistas particulares introduziram uma nova compreensão do batismo como um testemunho da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo que perdura entre os batistas modernos[37], como é afirmado no texto de Romanos 6:3-5 – NAA:

  1. Ou acaso se esqueceram de que, quando fomos unidos a Cristo Jesus no batismo, nos unimos a ele em sua morte? 4. Pois, pelo batismo, morremos e fomos sepultados com Cristo. E, assim como ele foi ressuscitado dos mortos pelo poder glorioso do Pai, agora nós também podemos viver uma nova vida. 5. Uma vez que nossa união com ele se assemelhou à sua morte, assim também nossa ressurreição será semelhante à dele.[38]

Logo, se tem a correta compreensão por parte dos batistas particulares que o batismo é um ato identificatório com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo, como descrito no texto de Romanos acima citado. Disto isto, ao receber o batismo indica que a pessoa se identifica publicamente como um símbolo neotestamentário[39] que ele representa, de pertencimento ao grupo cristão. O batismo é, portanto, ao mesmo tempo um ato de obediência, discernimento e submissão à fé Cristã, e na sequência será possível examinar como os batistas chegaram a esta compreensão.

3 A RESTAURAÇÃO DA PRÁTICA DO BATISMO DE CRENTES POR IMERSÃO: UM DISTINTIVO NEOTESTAMENTÁRIO E BATISTA

Retornando ao princípio, a prática pedobatista foi apresentado anteriormente como prática comum entre a igreja católica romana e a igreja anglicana, bem como por movimentos reformados que surgiram no século XVI e XVII, a prática pedobatista e por aspersão, como um padrão seguido por todos, com leves exceções do grupo anabatista que havia tido uma compreensão diferente e que posteriormente influenciou os batistas gerais. É sabido que a prática do batismo naquele tempo era comumente aspersionista[40] e raros casos efusionista[41]

Os batistas eram um grupo ainda pouco reconhecido e por muitos da sua época eram confundidos com os anabatistas, outro grupo, que era considerado por muitos um grupo violento e revolucionário. Muito embora, os próprios batistas particulares por ocasião de publicação da sua Confissão de Fé Batista de 1644, obra está publicada dois anos antes da famosa Confissão de Fé de Westminster de origem pedobatista. Veja o que os primeiros batistas asseveram na introdução da obra:

“A CONFISSÃO DE FÉ de sete congregações ou igrejas de Cristo em Londres, que são comumente, embora injustamente, chamadas de Anabatistas; publicada pela vindicação da verdade e a informação dos ignorantes; semelhantemente para a remoção daquelas calúnias que são com frequência, tanto no púlpito e por impresso, lançadas injustamente sobre elas”.[42]

Visto que a prática iniciou não de forma unânime a partir do final do terceiro século é sabido que a prática quase se tornou a prática comum a partir do quarto século, muito embora parecesse pelos escritos de Tertuliano e Hipólito que a prática foi originalmente recebida com oposição, a partir do quarto século, os pais da igreja escreveram quase exclusivamente em favor do pedobatismo[43]

Além dessa acusação havia também a acusação que os batistas cometiam atos impróprios na dispensação do batismo por colocar a vida e saúde das pessoas em risco ao batizá-las em rios, lagoas e lagos no norte da Inglaterra em um período de muito frio, sendo até mesmo instigados a não os considerar como cristãos[44]. Tendo tudo isso em vista, retornamos à pergunta, como os batistas chegaram à conclusão que deveriam retornar a batizar por imersão e apenas pessoas capazes de professarem publicamente a sua fé? A resposta para a pergunta ficou cada vez mais clara ao longo do artigo, contudo, cabe aqui apresentar de forma bem mais precisa e breve.

Os batistas gerais surgem primeiro como apresentado no início deste artigo em 1609 na Holanda e em 1612 em território inglês sob a liderança de John Smith, que ao analisar questões relacionadas ao fato que ele considerava a Igreja da Inglaterra como uma igreja falsa, logo, chegou à conclusão de que seu batismo, que havia sido administrado na sua infância pela Igreja estatal também tinha sido inválido, por ela não ser uma igreja verdadeira. E afirmou: “criaturas não devem ser batizadas porque não há preceito ou exemplo no Novo Testamento. Cristo ordenou que façamos discípulos ensinando-os e depois batizando-os”[45]

Juntamente com esta afirmação, pela leitura do Novo Testamento, em especial aos textos onde era mencionada a prática do batismo, chegou à percepção que o batismo deveria ser administrado somente a crentes, mantendo totalmente silente acerca da prática de imersão. Diante disso, o próprio John Smith por meio de estudos no Novo Testamento em Grego chegou à conclusão de que o batismo infantil administrado pela Igreja da Inglaterra não deveria ser considerado válido e em 1609, John Robinson faz o seguinte relato deste fato:

Senhor Smith, senhor Helwys e o restante, tendo completamente dissolvido e renunciado a sua Igreja anterior, organização e ministério, reuniram-se para erigir uma nova Igreja. Pelo batismo à qual eles também atribuíram tão grande virtude, como se eles não pudessem mais orar juntos, antes que isso ocorresse. E depois de algum esforço de cortesia, sobre quem deveria começar (…) Senhor Smith batizou primeiro a si mesmo e depois ao senhor Helwys e assim o restante, fazendo suas confissões particulares.[46]

Logo em seguida, então, Smith publicou em 1609 sua nova posição na obra intitulada “O caráter da besta” onde ele defende basicamente duas proposições: (1) As crianças não devem ser batizadas e (2) Que os anticristãos convertidos devem ser admitidos na verdadeira Igreja pelo batismo. Esta linha levou Smith a uma situação totalmente inusitada:

Ele (Smith) reconhecia que precisava ser batizado, mas, em tal situação de apostasia plena, ele sentia que não havia ninguém a quem pudesse recorrer para receber um batismo adequado. Então, ele deu o passo radical e, para seus contemporâneos, chocante de batizar a si mesmo por espargimento e batizou sua congregação da mesma forma.[47]

Este ato de Smith de batizar a si mesmo, foi considerado por muitos um ato radical. Note que o batismo praticado por ele a si próprio, bem como à sua congregação foi a forma de espargimento ou simplesmente aspersão. Em seguida Smith procurou aproximar-se de menonitas Waterlands para investigar a maneira que eles batizavam e suas posições teológicas de modo a formar suas próprias convicções. Neste ponto Smith percebeu que sua prática de auto batismo foi equivocada e precipitada e logo propôs para sua congregação unir-se aos anabatistas Waterlands ainda na Holanda. Com esta proposta Smith estava admitindo que seu batismo e de toda a congregação foi inválido e que teriam de novamente serem batizados. Esta proposta encontrou resistência forte por parte de Thomas Helwys e mais alguns irmãos que decidiram retornar para a Inglaterra, enquanto Smith e os demais foram fortemente influenciados e por fim, absorvidos pela congregação anabatista na Holanda.

O fato marcante do auto batismo, posteriormente levou a uma forte cisão entre os dois líderes da pequena congregação de Smith e Helwys, cerca de 30 pessoas acompanharam Smith e se aliaram aos anabatistas e por fim foram absorvidos por eles, enquanto, cerca de 10 pessoas acompanharam Helwys de volta para a Inglaterra em 1612[48]

A Igreja de Helwys, iniciada no pastorado de Smyth em 1609, foi a primeira igreja batista da qual há continuidade até os dias presentes. O contato com os menonitas, únicos preservadores da tradição anabatista do século XVI, influenciou a adoção, por esses batistas, da teologia arminiana, e não a calvinista que sempre foi aceita pelos puritanos e separatistas ingleses.[49]

Após estas breves considerações iniciais acerca relato dos batistas gerais, é preciso considerar a pergunta mais relevante a ser feita a partir de agora é quando o batismo por imersão retornou a ser praticado pelos batistas? A primeira consideração a ser feita é que os batistas particulares chegaram à conclusão de que o batismo deveria retornar a ser administrado a crentes, mediante pública profissão de fé e de forma imersionista[50] já que a convicção e o relato histórico confirmavam esta prática como sendo a neotestamentária, uma vez que, foram os particulares que restauraram o batismo dos fiéis “por imersão” depois de 1641 e os batistas gerais até este momento batizavam por afusão até que os “particulares” descobriram o novo método e então eles também passaram a adotar esta prática[51]

Voltando-se agora para o outro grupo denominado batistas particulares, a separação entre as igrejas pastoreadas por Jessey e Spilsbury foi amigável, os contatos entre elas continuaram. Foram justamente esses contatos que desencadearam uma discussão entre Jessey e Richard Blunt sobre como o batismo deveria ser administrado. Ambos se envolveram em profundo estudo bíblico, chegando à conclusão de que as Escrituras ensinam que o batismo deve ser realizado por imersão. Eles informaram isso às suas respectivas congregações, que concordaram em enviar Richard Blunt à Holanda para investigar o assunto, tendo em vista que ele falava bem holandês.

Eles tinham sido informados por outros separatistas que naquele país existia um grupo de menonitas, os Collegiantes[52], também conhecidos como Rhynsburgers, que praticavam o batismo por imersão. Blunt, que sabia holandês, partiu para a Holanda em 1640, onde passou algum tempo com os Rhynsburgers, e em particular com o professor Jan Batten de Leyden, com quem teve longas discussões sobre o batismo e a imersão dos crentes. Quando retornou à Inglaterra em 1641, ele relatou à sua igreja sobre a calorosa recepção que recebeu dos menonitas e suas descobertas sobre o batismo por imersão. A igreja aceitou as informações trazidas por Blunt e decidiu agir de acordo com elas, sendo todos batizados por imersão na profissão de fé em Jesus Cristo e em virtude da aliança que estabeleceram individualmente com Deus e a igreja. Assim nasceu na primeira igreja batista particular na Inglaterra, que além da sua teologia calvinista e eclesiologia congregacionalista, acrescentou o batismo dos crentes por imersão como a única forma bíblica de batismo.

A igreja Southwork, pastoreada por Henry Jessey, logo seguiu os passos da congregação liderada por Spilsbury. Jessey, embora convencido do apoio bíblico à forma de batismo por imersão, continuou a batizar crianças dessa maneira. Hanserd Knollys, um membro de sua congregação que havia emigrado para as colônias americanas, retornou à Inglaterra em 1641, convencido do batismo dos crentes. Seus argumentos acabaram convencendo Jessey e a igreja, que aceitaram essa prática e agiram de acordo.

Em 1644, já havia sete igrejas batistas particulares em Londres, que publicaram uma confissão de fé comum, a Confissão de Fé Batista de Londres (1644), na qual estabeleceram os princípios do batismo dos crentes por imersão, liberdade religiosa para todos e a doutrina calvinista da expiação particular, isto é, que Cristo morreu somente pelos eleitos. Em 1651, todos os batistas ingleses, tanto gerais quanto particulares, adotaram o batismo por imersão.

Há evidências claras que apontam que foram os batistas particulares que recuperaram a prática do batismo por imersão por volta da década de 1640, mais especificamente entre os anos de 1638-1640[53], contudo em muito pouco tempo, todos os batistas adotaram a imersão como modo de batismo, incluindo os “batistas gerais”.

Como comentado inicialmente no tópico dos batistas particulares, os batistas surgem daquilo que ficou historicamente conhecido como Igreja JLJ (Henry Jacob, John Lathrop e Henry Jessey). A partir desta igreja surge por meio de um dos seus membros chamado William Kiffin (1616-1701).

William Kiffin, foi por sessenta anos pastor da Igreja Batista de Devonshire, em Londres. Ao mesmo tempo, ele era um comerciante muito rico e influente na sociedade da cidade. Ele foi nomeado para vários cargos políticos durante sua vida. Dizem que o rei Carlos II certa vez lhe pediu um empréstimo de quarenta mil libras. O velho Kiffin, astuto como sempre, disse ao rei que não tinha muito dinheiro, mas que lhe daria de bom grado dez mil libras. O rei aceitou a oferta de bom grado. Kiffin riria mais tarde, dizendo que com esse gesto ele havia economizado trinta mil libras. Kiffin, devido à sua astúcia política e piedade pessoal, conseguiu sobreviver às muitas crises de sua longa carreira.[54]

Retornando ao seu relato historicamente conhecido como Manuscrito Kiffin, onde é demonstrado que houve inicialmente a prática do batismo por imersão no meio dos batistas particulares:

O assim chamado “Manuscrito Kiffin”, doravante MSK, é um dos documentos conhecidos mais importantes para o estudo histórico das origens batistas a partir da tese separatista-puritana. Apesar de todas as suas limitações, é um documento que registra o advento da prática imersionista entre os batistas e o surgimento daquelas que seriam, mais tarde, chamadas de Igrejas Batistas Particulares. A menção inaugural do manuscrito se deu no The History of the English Baptists, de Thomas Crosby. Há muitos problemas envolvidos na citação elaborada por Crosby do suposto manuscrito, mas isso merece uma atenção especial em outro momento. Por ora, eis a certidão de nascimento do manuscrito nos livros de história batista: “Isso está de acordo com um relato dado sobre a questão em um manuscrito antigo, que diz se ter sido escrito pelo Sr. William Kiffin, que viveu naqueles tempos e era um líder entre aqueles daquela inclinação”.[55]

Diante disso, tem-se como fonte histórica que o Manuscrito Kiffin revela algo muito importante para a história dos batistas e a prática imersionista de batismo entre eles, pois demonstra que houve a compreensão da rejeição do batismo oficial da igreja da Inglaterra e a prática entre os irmãos daquela congregação do batismo por imersão. Veja abaixo a transcrição do próprio manuscrito:

“Número 2

Trata-se de um antigo manuscrito contendo um relato sobre alguns Batistas que, inicialmente, formaram congregações ou igrejas distintas em Londres. Esse documento foi encontrado entre alguns papéis entregues a mim pelo Sr. Adams.

Diversos membros da igreja na qual o Sr. Jacob e o Sr. John Lathorp haviam sido pastores estavam insatisfeitos com a posição daquela igreja de reconhecer as paróquias inglesas como verdadeiras igrejas. Por isso, pediram dispensa e decidiram se reunir separadamente. Entre esses estavam o Sr. Henry Parker, o Sr. Thomas Shephard, o Sr. Samuel Eaton, Mark Luker e outros — aos quais também se juntou o Sr. William Kiffin.

Ano de 1638

O Sr. Thomas Wilson, o Sr. Pen, H. Pen e mais três pessoas passaram a crer que o batismo não deveria ser aplicado a recém-nascidos, mas apenas a crentes professos. Eles se uniram ao Sr. John Spilsbury, com o consentimento da igreja, para organizar uma nova congregação com base nessa convicção.

No 3º mês do ano

A igreja dividiu-se em duas, por consentimento mútuo. Metade dos membros ficou sob a liderança do Sr. Praise-God Barebone, e a outra metade com o Sr. Henry Jessey. O Sr. Richard Blunt passou a acreditar que o batismo deveria ser realizado por imersão total na água, simbolizando o sepultamento e a ressurreição de Cristo (conforme Colossenses 2:12 e Romanos 6:4). Ele iniciou diálogos sérios sobre esse tema com a igreja, e também com outros irmãos que partilhavam da mesma convicção.

Após orarem e conversarem entre si, concluíram que nenhum deles havia praticado o batismo por imersão em crentes adultos na Inglaterra até então. Sabendo que esse tipo de batismo era praticado por algumas igrejas nos Países Baixos, decidiram enviar o Sr. Richard Blunt — que falava holandês — com cartas de recomendação. Ele foi cordialmente recebido por uma congregação naquele país e voltou com cartas assinadas por Jo. Batte, um professor daquela igreja, endereçadas aos irmãos que o haviam enviado.

Eles decidiram proceder da seguinte forma: as pessoas que estavam convencidas de que o batismo deveria ser por imersão se reuniram em dois grupos, com o plano de se juntarem após a realização dos batismos. Todos concordaram em seguir o mesmo procedimento. Demonstraram esse acordo não por palavras formais ou pacto escrito — termo que gerou dúvidas entre alguns —, mas por desejos e decisões mútuas, confirmadas por cada um deles.

As duas agremiações então se separaram para que uma pudesse batizar os demais. O Sr. Blunt batizou o Sr. Blacklock, que era um dos professores do grupo. Em seguida, tendo ele mesmo sido batizado, o Sr. Blunt e o Sr. Blacklock passaram a batizar os demais irmãos e irmãs que estavam prontos para receber o batismo. Muitos foram adicionados ao grupo, que cresceu significativamente.

Os nomes dos batizados até janeiro (11º mês):

Richard Blunt, Gregory Fishburn, John Cadwell, Samuel Eames, Thomas Kilcop, Robert Locker, John Braunson, Richard Ellis, William Creak, Robert Carr, Martin Mamprise, Henry Woolmare, Robert King, Thomas Waters, Henry Creak, Mark Lukar, Henry Darker, Elizabeth Jessop, Samuel Blacklock, Dorothea Fishburn, Elizabeth Cadwell, Thomas Munden, William Willisby, Mary Lock, John Bull, Mary Langride, Mary Haman, Sarah Williams, Joane Ann, Elizabeth Woolmore, Sarah Norman, Isabel Woolmoor, Judeth Manning, Mabel Lukar, Abigail Bowden, Mary Creak, Susannah King, Thomas Shephard e sua esposa Mary Millisson — totalizando 41 pessoas.

Depois, também se uniram: John Cattope, George Denham, Nicholas Martin, Thomas Daomunt, Ailie Stanford, Richard Colgrave, Nath. Matthew, Elizabeth Hutchinson, Mary Burch, John Crosson, Sybilla Lees e John Woolmoore — somando ao todo 53 pessoas.

Esses crentes, unidos por convicção, passaram a ter comunhão regular entre si. A partir desse grupo, formaram-se sete igrejas em Londres. O Sr. Green, junto ao Capitão Spencer, iniciou uma congregação em Crutched Fryers, à qual se juntou Paul Hobson. Este, com muitos daquela igreja, passou a compor uma das sete igrejas.

Essas igrejas foram amplamente criticadas, sendo acusadas de ensinar doutrinas doentias, de serem arminianas e até contrárias às autoridades civis. Para responder a essas críticas, decidiram unir-se em torno de uma Confissão de Fé composta por 52 artigos, a qual trouxe grande satisfação a muitos que antes tinham ideias preconcebidas sobre elas.

Os que assinaram a confissão, em nome das sete igrejas de Londres, foram:

William Kiffin, Thomas Gun, Paul Hobson, Thomas Patience, John Mabbet, Thomas Goore, George Tipping, John Webb, John Phelps, John Spilsbury, Thomas Kilcop, Edward Heath, Thomas Shephard e Thomas Munden.[56]

Thomas Crosby, importante historiador batista inglês, que foi casado com a filha do gigante batista Benjamin Keach (1640–1704)[57], em seu livro de The History of the English Baptist[58] publicado originalmente em 1738, aponta que este manuscrito, assim chamado “Manuscrito Kiffin”, é um dos documentos mais importantes para o estudo histórico das origens batistas. Este documento apresenta os registros do surgimento da prática imersionista entre os batistas particulares. Diante destes relatos observa-se que houve a prática do batismo por imersão por este pequeno grupo de batistas particulares em 1638-1640 na Inglaterra, como apontado no Manuscrito Kiffin.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise histórica e teológica apresentada no texto permite concluir que os batistas particulares emergiram como um movimento distinto no século XVII, fruto de uma reforma interna do puritanismo separatista inglês. Sua origem está vinculada a dissidências dentro de congregações semi-separatistas, como a Igreja JLJ (Henry Jacob, John Lathrop e Henry Jessey), que rejeitaram a validade do batismo anglicano por considerar a Igreja da Inglaterra como apóstata. A rejeição ao batismo infantil e a defesa do batismo de crentes por imersão consolidaram-se como marcas teológicas centrais, fundamentadas em um rigoroso exame das Escrituras e na busca por um retorno às práticas neotestamentárias.

A Primeira Confissão de Fé Batista de Londres (1644), elaborada por pastores batistas particulares como John Spilsbury, William Kiffin e Hanserd Knollys, representou um marco ao formalizar princípios como a autoridade exclusiva da Bíblia, a liberdade religiosa, a separação entre Igreja e Estado e o batismo de crentes professos por imersão. Esse documento não apenas diferenciou os batistas dos anabatistas — rejeitando acusações de radicalismo —, mas também os alinhou parcialmente às igrejas reformadas, ainda que mantendo divergências irreconciliáveis, como o credobatismo.

A restauração do batismo por imersão, entre 1638 e 1641, foi um avanço crucial. Influenciados por contatos com os menonitas holandeses, os Rhynsburgers, os batistas particulares, liderados por Richard Blunt e John Spilsbury, reinterpretaram o batismo como símbolo da morte e ressurreição de Cristo (Romanos 6:3-5), rejeitando a aspersão pedobatista. O Manuscrito Kiffin, documento histórico essencial, registra essa transição, evidenciando o processo de ruptura e a adoção da imersão como prática distintiva. A decisão de batizar apenas crentes professos, mediante profissão pública de fé, não apenas os distanciou das tradições católica e anglicana, mas também os aproximou de uma identidade evangélica centrada nas Escrituras.

O texto ainda destaca que a rejeição ao batismo infantil não era meramente eclesiológica, mas teológica: a ausência de bases neotestamentárias para a prática — como apontado por Tertuliano e Hipólito — e seu desenvolvimento tardio, século III em diante, reforçaram a convicção batista de que o batismo deve ser reservado a quem professa fé consciente. Mesmo teólogos pedobatistas, como João Calvino e o arcebispo Whately, reconheceram que a imersão era a forma original, embora tenham justificado a aspersão por razões pragmáticas.

Por fim, os batistas particulares legaram à tradição protestante contribuições duradouras, como a defesa intransigente da liberdade religiosa, a prática de batismo de crentes professos por imersão e um firme compromisso com o Sola Scriptura. A adoção universal do batismo de crentes por imersão por todos os batistas ingleses em 1651 simboliza não apenas unidade doutrinária, mas a vitória de uma hermenêutica bíblica que priorizou a simplicidade do Novo Testamento sobre complexidades dogmáticas posteriores. Assim, os batistas consolidaram-se como um movimento reformado, porém distintivo, cujo legado permanece vital para o evangelicalismo contemporâneo.

REFERÊNCIAS

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WRIGTH, Stephen. The Early English Baptist 1603-1649. Woodbridge-ENG, The Boydell Press, 2006.


[1]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Um povo chamado batista: história e princípios. 3ª edição revista e ampliada. Recife. Editora Kairós, 2014. p.58.

[2]PAIXÃO, Marcus. Introdução à Primeira Confissão de Fé Batista de Londres: comentário da primeira confissão de fé batista de Londres – volume I. Campo Maior-PI; Editora CHTB, 2021. p.21.

[3]O movimento montanista, também conhecido como Nova Profecia, surgiu por volta de 156 d.C. na região da Frígia (Ásia Menor), liderado por Montano, que alegava receber revelações diretas do Espírito Santo. Junto a ele, as profetisas Priscila (ou Prisca) e Maximila desempenharam papéis centrais, afirmando serem instrumentos do Espírito para preparar a igreja para a iminente volta de Cristo. O movimento ganhou adeptos por seu fervor escatológico e asceticismo rigoroso, mas foi amplamente condenado como herético pela Igreja primitiva.

[4]CESAREA, Eusébio. História Eclesiástica. Tradução de Wolfgang Fischer. São Paulo, Editora Novo Século, 2002. p.23-25.

[5]Trecho de texto extraído de “Quem Somos como Batistas”, disponível em https://convencaobatista.com.br/siteNovo/pagina.php?MEN_ID=24 – acessado em 29 mar 2023 às 13:16.

[6]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Um povo chamado batista: história e princípios. 3ª edição revista e ampliada. Recife. Editora Kairós, 2014.p.60.

[7]TEIXEIRA, William. A Confissão de Fé Batista de 1644. Francisco Morato: Editora O Estandarte de Cristo, 2015. P.2.

[8]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.p.171.

[9]Ibid, p.171.

[10]Os Waterlanders (Waterlands) foram um grupo anabatista (menonita) que surgiu nos Países Baixos no século XVI, conhecido por sua postura mais moderada e tolerante em comparação com outras facções anabatistas da época. Seu nome deriva da região de Waterland, uma área próxima a Amsterdã, onde muitos de seus membros viviam.

[11]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.p.171.

[12]Ibid, p.173.

[13]HAYKIN. Michael A G. FINN, Nathan A. CHUTE, Anthony L. História dos Batistas: da Inglaterra para o mundo. Trad. Renan Lima; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2022. P.23.

[14]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Um povo chamado batista: história e princípios. 3ª edição revista e ampliada. Recife. Editora Kairós, 2014. p.62.

[15]PAIXÃO, Marcus. Henry Jacobs e os Batistas: a igreja de Jacob e sua relação com os batistas particulares. Campo Maior-PI; Editora CHTB, 2022.p.58-64.

[16]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Um povo chamado batista: história e princípios. 3ª edição revista e ampliada. Recife. Editora Kairós, 2014..p.62-66.

[17]Para maiores informações acerca dos escritos de John Smith e Thomas Helwys recomenda-se a consulta da obra de OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Liberdade e exclusivismo: um ensaio sobre os batistas ingleses. Recife. Horizonal Editora e STBN Edições, 1997.

[18]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.p.195.

[19]HAYKIN. Michael A G. FINN, Nathan A. CHUTE, Anthony L. História dos Batistas: da Inglaterra para o mundo. Trad. Renan Lima; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2022.p.40.

[20]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.p.197.

[21]ANGELIM, Fernando. Teologia Bíblica Batista Reformada: Uma Introdução Baseada na Confissão de Fé de 1689. Francisco Morato: Editora O Estandarte de Cristo, 2021.p.35.

[22]Para uma leitura completa da Primeira Confissão de Fé Batista de Londres acesse https://oestandartedecristo.com/https:/oestandartedecristo/loja/a-confissao-de-fe-batista-de-1644/

[23]NETTLES, Thomas. Os Batistas e as Doutrinas da Graça; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2024.

[24]TEIXEIRA, William. A Confissão de Fé Batista de 1644. Francisco Morato: Editora O Estandarte de Cristo, 2015.p.2.

[25]HAYKIN. Michael A G. FINN, Nathan A. CHUTE, Anthony L. História dos Batistas: da Inglaterra para o mundo. Trad. Renan Lima; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2022. p.15-16.

[26]Pedobatistas (do grego pedo significando “criança”) são aqueles que advogam a prática do batismo infantil.

[27]Credobatistas (do Latim, credo, “eu creio”) são aqueles que acreditam que o batismo é reservado somente para crentes, acompanhado por uma profissão pública de fé.

[28]JOHNSON, Jeffrey D. A Falha Fatal da teologia por trás do batismo infantil. Trad. William e Camila Teixeira. Francisco Morato-SP. Editora O Estandarte de Cristo, 2018.p.27.

[29]Ibid, p.29.

[30]Ibid, p.30.

[31]Para uma visão mais detalhada para cada uma destas formas recomenda-se a leitura da obra JOHNSON, Jeffrey D. A Falha Fatal da teologia por trás do batismo infantil. Trad. William e Camila Teixeira. Francisco Morato-SP. Editora O Estandarte de Cristo, 2018.

[32]Para uma análise mais detalhada acerca do desenvolvimento da prática e compreensão do batismo na igreja primitiva recomenda-se a leitura da obra de STANDER, Hendrick F; LOUW, Johannes P. El bautismo em la iglesia primitiva: uma análisis histórico de la pratica del bautismo em los primeiros cuatro siglos de la iglesia cistiana. Trad. Carlos Aleman Dyez; Santo Domingo-EQU, Editorial Legado Bautista Confessional, 2021.

[33]STANDER, Hendrick F; LOUW, Johannes P. El bautismo em la iglesia primitiva: uma análisis histórico de la pratica del bautismo em los primeiros cuatro siglos de la iglesia cistiana. Trad. Carlos Aleman Dyez; Santo Domingo-EQU, Editorial Legado Bautista Confessional, 2021.p.38.

[34]Ibid, p.66.

[35]CALVINO, João. Institutas da Religião Cristã (Edição Clássica). Vol 4. 2ª Edição. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2006, p. 307.

[36]DOWNING, William R. Batismo de crentes por imersão, um distintivo neotestamentário e batista. Francisco Morato: Editora O Estandarte de Cristo, 2015.p.9.

[37]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.

[38]BÍBLIA SAGRADA. Versão Nova Almeida Atualizada. Bauru: Sociedade Bíblica do Brasil. 2017.

[39]Para um aprofundamento maior a respeito deste assunto, recomenda-se a leitura da obra DOWNING, William R. Batismo de crentes por imersão, um distintivo neotestamentário e batista. Francisco Morato: Editora O Estandarte de Cristo, 2015. disponível em https://oestandartedecristo.com/data/BatismodeCrentesporImersCeoUmDistintivoNeotestamentCarioeBatistaWilliamR.Downing.pdf

[40]Nome dado à prática de batismo que tinha como ato/efeito de aspergir água sobre a cabeça do indivíduo.

[41]Nome dado à prática de batismo que tinha como ato/efeito de derramar água sobre a cabeça do indivíduo.

[42]Recomenda-se a leitura de toda a apresentação da Confissão de Fé Batista de 1644, onde os autores apresentam que são cristãos e que negam o pedobatismo, bem como, a comparação com o anabatismo. Veja mais em https://oestandartedecristo.com/https:/oestandartedecristo/loja/a-confissao-de-fe-batista-de-1644/

[43]JOHNSON, Jeffrey D. A Falha Fatal da teologia por trás do batismo infantil. Trad. William e Camila Teixeira. Francisco Morato-SP. Editora O Estandarte de Cristo, 2018.

[44]HAYKIN. Michael A G. Os primeiros batistas: redescobrindo nossa herança inglesa. Trad. Shirley Lima; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2020.p.127.

[45]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.

[46]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Liberdade e exclusivismo: um ensaio sobre os batistas ingleses. Recife. Horizonal Editora e STBN Edições, 1997.

[47]HAYKIN. Michael A G. FINN, Nathan A. CHUTE, Anthony L. História dos Batistas: da Inglaterra para o mundo. Trad. Renan Lima; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2022.

[48]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Liberdade e exclusivismo: um ensaio sobre os batistas ingleses. Recife. Horizonal Editora e STBN Edições, 1997.

[49]OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Um povo chamado batista: história e princípios. 3ª edição revista e ampliada. Recife. Editora Kairós, 2014.

[50]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.

[51]Nome dado à prática de batismo que tinha como ato/efeito mergulhar o indivíduo por completo em água.

[52]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.

[53]Os Collegiantes foram um movimento religioso liberal e ecumênico que surgiu nos Países Baixos no século XVII, durante o período pós-Reforma. Conhecidos por sua ênfase na liberdade de consciência, na discussão aberta das Escrituras e na rejeição de hierarquias eclesiásticas formais, eles representaram uma ponte entre o protestantismo radical, o humanismo cristão e o Iluminismo emergente. Seu nome deriva das reuniões chamadas collegia (assembleias), onde membros de diferentes origens debatiam livremente temas religiosos.

[54]HAYKIN. Michael A G. Os primeiros batistas: redescobrindo nossa herança inglesa. Trad. Shirley Lima; Rio de Janeiro, Pro Nobis Editora, 2020.

[55]ANDERSON, Justo. Historia de los bautistas. Edicion comemorativa. El Paso, Texas (EUA). Editorial Mundo Hispano, 2015.

[56]English Baptists, vol. 1, p. 101 – disponível em https://rastrodeagua.wordpress.com/2018/07/03/ms-k/ acessado em 29/06/2023 às 22:35.

[57]Manuscrito Kiffin – Traduzido pelo blog Rastro de Agua. Disponível em https://rastrodeagua.files.wordpress.com/2018/07/traduc3a7c3a3o-ms-kb.pdf acessado em 29/06/2023 às 22:35.

[58]Benjamin Keach (1640–1704) foi um proeminente pastor, teólogo e escritor batista inglês do século XVII, conhecido por seu papel na consolidação das igrejas batistas particulares (calvinistas) e por suas contribuições à literatura e liturgia batista. Sua obra influenciou profundamente a identidade teológica e prática das igrejas batistas reformadas. Nasceu em Stoke Hammond, Buckinghamshire, Inglaterra, em 1640. Iniciou sua vida religiosa como batista geral (arminiano), mas converteu-se ao calvinismo e tornou-se um líder dos batistas particulares. Em 1668, tornou-se pastor da igreja batista em Horselydown, Southwark (Londres), uma das primeiras congregações batistas particulares. Keach foi um dos principais autores da Segunda Confissão de Fé Batista de Londres (1677/1689).

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